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Enfermeira Sem Café

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13
Fev20

Eutanásia.


Andreia Belourico

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Bom, temos de falar nisto, está visto.
A Eutanásia (escrevo-a com maiúscula, dada a importância que assume na vida de alguém. Na vida.) consiste num acto intencional de provocar a morte, de forma indolor, aliviando o sofrimento instalado no corpo e na vida de alguém.
Não vou dizer se sou a favor ou se sou contra, não é isso que interessa. Seja qual for a minha posição, sei que posso mudar de ideias a qualquer momento. O que importa falar aqui é da leviandade com que nos preparamos para acolher, tratar e privar com a Eutanásia. Assim, sem mais nem menos. Assim, com um referendo banal.
Portugal e a sua sociedade, não têm maturidade para tratar a Eutanásia por "tu". Existe uma baixa literacia em relação ao que nos diz respeito como pessoas. É cultural e vai levar décadas para mudar. As pessoas não se interessam.
Não digo isto sem saber do que falo, digo isto pois doente sim, doente não que chegam à consulta de cuidados paliativos, não sabem o que são ou nunca ouviram falar. Estamos em 2020, a informação é muita e volátil mas, ainda assim há lacunas, e grandes. Muitos chegam-nos à consulta a achar que paliativos significa Eutanásia. Epa, algo não vai bem. Permitam-me mas algo não vai bem.
Pois são então estas pessoas que vão votar num eventual referendo sobre a despenalização da Eutanásia. São pessoas que dizem saber o que é a Eutanásia mas desconhecem a palavra distanásia, que vão poder decidir. Está-se mesmo a ver no que é que isto vai dar: merda.
Não digo que a Eutanásia não faça sentido aqui ou ali, digo é que este país não está preparado (nem tão cedo irá estar) para lidar com tamanha responsabilidade. Não somos evoluídos, desculpem não somos. Temos Wi-Fi em todo o lado, tecnologias de ponta, mas não somos evoluídos. Enquanto este país não tiver cuidados paliativos de QUALIDADE (não é cerca de 48 camas por distrito, não é 1 ou 2 enfermeiros para 20/30 doentes, não é médicos em part-time para os paliativos, não enquanto os paliativos não fizerem parte da formação base dos profissionais de saúde), não podemos falar de provocar a morte a alguém de forma consciente e, teoricamente pensada. Somos ainda muito pequeninos.

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