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Enfermeira Sem Café

Enfermeira Sem Café

07
Fev19

O Burnout


Andreia Belourico

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Acho que nunca uma imagem explicou tão bem uma palavra.
Acredito que a maioria de vocês já tenha ouvido falar em Burnout. Escrevo com maiúscula porque tenho de lhe atribuir a sua verdadeira importância. Este foi outro dos temas que motivou a criação do mundo da Enfermeira Sem Café, este foi outro dos temas que eu tenho estado a ganhar coragem para partilhar com vocês. Delicado. Muito delicado. Passei por isto. Passei é verdade e não o desejo a ninguém. Passei muito tempo sozinha, eu e ele (o Burnout) e não nos demos bem. A nossa cabeça é o centro de tudo e quando o centro de tudo está doente, tudo o resto fica comprometido.
São várias as profissões que nos colocam à prova. Eu só posso falar da minha evidentemente. Trabalhamos no fio da navalha, sob uma pressão estrondosa, o nosso nome percorre dezenas de bocas ao longo do dia e ao longo da noite. Todos querem falar connosco. Todos precisam da nossa ajuda. Todos esperam tudo de nós. Um enfermeiro com 15 ou 16 doentes de Medicina Interna atribuídos chega a uma altura que sente que não consegue mais e manda a toalha ao chão.
Quando ele chega vem assim, de fininho, quase não damos por nada. Sentimo-nos letárgicos, apáticos, depois começamos a entrar em conflito com tudo e todos, geralmente com quem mais gosta de nós. Perdemos a paciência à mínima contrariedade e por vezes a razão.
Chorei muito. Sozinha e não só. Às vezes chorava porque não aguentava mais, outras vezes chorava não sei muito bem porquê. Chorava os 50 minutos de caminho para o hospital. No carro, antes de sair recompunha-me. Depois de me incompatibilizar com o mundo, passei para uma fase de passividade assustadora, onde imperava a indiferença. Percebi isso, no dia em que estava a prestar cuidados a um cadáver e não senti, RIGOROSAMENTE NADA. A não ser uma enorme vontade de explodir em lágrimas quando percebi no que me estaria a tornar.
Fui aguentando, os amigos foram muito importantes, no fim de contas alguns também estavam na mesma situação. Tomei a decisão de mudar a minha vida na mesma altura que bati "lá em baixo". Chega um dia que perdemos o controlo, deixamos de ver, de ouvir e pensar e, a nossa versão menos polida vem à tona de água.
No entanto posso dizer que a vida me presenteou, compensou-me de toda aquela loucura com vida própria e, agarrei esta oportunidade com unhas e dentes, como se fosse uma dádiva.
Queria apenas alertar que todos nós temos um 'click' e, a linha que separa a nossa saúde mental da tormenta emocional e psicológica, é muito ténue. Por isso estejam atentos.

Beijos em todos ❤️❤️❤️

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